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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sonhos Criativos:

A partir dos métodos de interpretação de sonhos surgidos no início do século, os sonhos perderam o seu status de mensageiros entre os deuses e a humanidade e se tornaram mensagens entre o ego e o inconsciente.
Na Grécia antiga eles eram usados em rituais de cura nos templos de Asclépios onde a pessoa doente era colocada para dormir e lá permanecia até que um sonho revelasse a origem da doença, como também. um possível tratamento. Já na era Cristã, Artemidorus de Ephesus escreveu um manual de interpretação de sonhos, enfatizando-os como indicadores do futuro, em vez de considerá-los movimentos internos do processo de individuação do sonhador.
E quando em 1900 Freud escreveu "A Interpretação de Sonhos", as comunidades científicas e religiosas já haviam perdido a noção de que os sonhos tivessem qualquer significado. Logo após veio Jung que, depois de seu rompimento com Freud, por volta de 1913, procurou o seu próprio caminho na investigação do inconsciente ocupando-se com seus sonhos, fantasias e memórias de sua infância, dando forma a uma nova abordagem que ele veio a chamar de Psicologia Analítica. Naquela época ele começou a confrontar as figuras do inconsciente usando uma técnica de diálogo interno desenvolvida a partir de seus experimentos de associação livre de palavras que mais tarde ele deu o nome deimaginação ativa; como também, a sua compreensão dos sonhos diferia daquela de material reprimido, e os colocava como representações autônomas inconscientes numa relação compensatória com o ego. Hall ressalta que os sonhos são uma declaração simbólica que carrega significados ainda não especificados, mas não é uma versão disfarçada de um material reprimido não aceitável.
Esta relação de compensação foi percebida e explicada através da observação de que o ego-onírico às vezes se comportava como o ego-acordado, mas que em muitas outras vezes ele agia diferentemente. É neste contraste que se apoia a função compensatória dos sonhos que traz à consciência um nova imagem do ego completamente diferente daquela de nossa consciência acordada. Isto é, o ego-onírico acaba desempenhando uma função inexistente na consciência, mas necessária ao desenvolvimento do ego-acordado. Como se fosse uma forma de chamar a atenção para alguma coisa ainda não desenvolvida e não percebida por nós.
É aí que entra em foco os chamados sonhos criativos que nos apresentam a idéia de que podemos trazer de nossos sonhos alguma coisa valiosa para nós mesmos, para nossas vidas ou mesmo para a sociedade. Um famoso exemplo desta experiência nos relata o químico alemão F.A. Kekulé, no final do século passado , um sonho que lhe veio em seu auxílio: "Eu virei a cadeira para a lareira e estava meio dormindo. Os átomos flutuavam diante de meus olhos... dançando e girando como cobras. E veja o que aconteceu! Uma das cobras mordeu o seu próprio rabo e a imagem girava diante de mim. Como um relâmpago eu acordei e passei o resto da noite trabalhando nas conseqüências desta nova hipótese". As conseqüências, como vocês sabem, foram a descoberta da fórmula do benzeno. E numa convenção científica em 1890 ele aconselhou: "Aprendam a sonhar, senhores".
Entre a maioria das nações indígenas americanas existem canções/poemas resultantes de algum sonho, passado por um alce, um búfalo ou por lobos. E estas canções acabam sendo adotadas por toda a tribo para refazerem o caminho de encontro com alguma divindade; um instrumento para se recriar uma experiência numinosa.
Na Malásia, o povo Senoi usava uma técnica de alterar o estado dos sonhos para usa-los para criar projetos que contribuíssem diretamente para um modo de vida individual e da comunidade. Eles eram uma sociedade pacífica que usavam os seus sonhos para criar harmonia e bem-estar em sua cultura. Este povo, mesmo cercado por outras culturas como a chinesa e Maometanas, criaram e desenvolveram cerimonias, instrumentos agrícolas, instrumentos musicais, canções e mudanças de hábito na alimentação e vestimenta; a partir de uma ação puramente criativa dos sonhos, uma vez que não existiam modelos ou referenciais nas culturas das colônias vizinhas.
Como o povo Senoi, várias outras fontes já nos deram dicas de como arranjar os sonhos, ou seja, como se tornar um sonhador acordado, ou trazer a consciência para o ego-onírico. Lucidez é o primeiro passo para o sonhador acordado. Escolher estar consciente de um objeto em particular e manter esta consciência através do sonho. A questão não é notar a similaridade com a vida acordada, mas perceber que as imagens no sonho são muito semelhantes ou totalmente diferentes daquelas da realidade acordada. Uma de cada vez, até tudo se tornar claro.

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