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sábado, 22 de janeiro de 2011

Sonhando:

O sonho é uma experiência própria do ser humano estudado nas mais diversas épocas e diferentes culturas. Desde a antigüidade até os dias de hoje, muito tem se pesquisado sobre o mundo dos sonhos tanto dentro do âmbito religioso quanto no científico.
Pode-se encontrar relatos que revelam as crenças e a misticidade dos sonhos em livros religiosos como a Bíblia que possui mais de setenta passagens tratando do assunto, como estará citado a seguir, o Alcorão (livro sagrado dos maometanos) visto que grande parte de seus escritos foram revelados a Maomé em forma de sonho e até mesmo no Talmud (leitura rabínica) sendo que os sonhos aparecem como algo que precisa ser revelado pois contém efeitos transmutadores (FROMM , 1951)
A Bíblia mostra que o sonho durante muito tempo foi uma forma de comunicação entre Deus e os homens e que através deles, muitos conteúdos sobre a vida futura eram revelados. O caráter premonitório dos sonhos aparece em várias passagens Bíblicas como esta: “E aconteceu que, ao fim de dois anos inteiros, Faraó sonhou, e eis que estava em pé junto ao rio, e subiam ao rio sete vacas formosas e gordas de carne, e pastavam. E eis que subiam do rio após elas, outras sete vacas feias e magras de carne; e paravam junto às outras vacas no pasto. E as vacas feias e magras, comiam as sete vacas formosas e gordas. Então acordou o Faraó. Chamou o Faraó um garoto de nome José para que interpretasse seu sonho e assim foi feito. Disse José ao Faraó: O sonho do Faraó é o que Deus fará. As sete vacas formosas são sete anos de muitas fartura que o Egito enfrentará e as sete vacas magras e feias são os sete anos de fome e miséria que se sucederá” (Bíblia Sagrada, 1969, p. 47, antigo testamento).
Na Idade Média, o sonho passou a ser encarado como portador de uma força cognitiva em relação aos fatores da realidade externa objetiva, especialmente o Futuro, o Além e as verdades do relacionamento do homem com o divino, que, de outra forma seriam inacessíveis (WOLFF, 1985).
Segundo a Dra. VON FRANZ em seu livro O Caminho dos Sonhos (1988), na virada do século, os pioneiros da Psicologia não descobriram a importância dos sonhos. Eles a redescobriram. Muitas civilizações antigas levavam extremamente a sério seus sonhos. Por ironia, muita gente que hoje rejeita os sonhos como algo sem sentido, sem saber, aceita e segue valores espirituais, crenças e tradições que se originam diretamente dos sonhos de indivíduos que viveram há milhares de anos. Durante toda a história religiosa da cultura judeu-cristã os sonhos tiveram um papel central na determinação do destino da humanidade.
Existem até mesmo autobiografias importantes centradas em sonhos: a primeira, de um médico de Bagdá, Ibn al-Banña de 1068 e é composta de vinte e três sonhos e suas interpretações; a outra, é do historiador damasceno Abn Shama de 1260. Já se tratando do mundo científico, encontra-se Freud que em 1900 lança uma de suas principais obras “ A interpretação dos sonhos” em que descreve a forma como a psique se protege e satisfaz-se durante o sonho. Freud indica que do ponto de vista biológico, a função do sonho é permitir que o sono não seja perturbado. Sonhar é uma forma de canalizar desejos não realizados através da consciência sem despertar o corpo. Freud considera o sonho como um guardião do sono, ao permitir a satisfação parcial dos desejos inconscientes reprimidos. Seria uma forma de manifestação dos impulsos que estão sob pressão da resistência durante a vigília e que podem liberar-se durante o relaxamento do sono. A lembrança dos sonhos não é apenas fragmentária, mas decididamente imprecisa e falsificada e, muitas vezes, ao despertar, as imagens são fracas e pouco inteligíveis. O esquecimento dos sonhos está a serviço da resistência. Parte da dificuldade de fornecer uma descrição dos sonhos se deve ao fato de se traduzir as imagens em palavras ( WOLFF, 1985).
Os sonhos são produtos da própria atividade mental e processam-se, predominantemente, por imagens visuais, mas também recorrem a impressões auditivas; seu conteúdo é derivado da experiência, mostrando conhecimentos e impressões que o indivíduo acordado muitas vezes não percebe (FREUD, 1900).
Além do estado desperto normal, o sono, é naturalmente, o outro estado de consciência cujo reconhecimento é mais comum. As pessoas passam boa parte da vida dormindo, como a maioria dos mamíferos. O desenvolvimento do eletroencefalógrafo (EEG) foi decisivo para o progresso das pesquisas sobre o sono e o sonho. Berger, um psiquiatra alemão, em 1924, foi a primeira pessoa a registrar o EEG de um homem. Berger só publicou os seus primeiros registros em 1929. Suas descobertas abriram caminho a uma intensa atividade de pesquisa. Muitas pesquisas foram realizadas posteriormente para ampliar e aprofundar as descobertas de Berger, colocando ao alcance de todos uma considerável soma de informações sobre a atividade elétrica do cérebro humano (KIMBLE, 1975).
Segundo MAGNIN (1992), os movimentos lentos dos olhos que apareciam logo antes do sono, também ocorriam durante a noite e estavam diretamente relacionados a profundidade do sono. Seu principal foco de pesquisa era por que motivo, quando uma pessoa deveria estar relaxada, seus globos oculares se comportavam como se ela estivesse acordada assistindo a um filme. E a partir daí veio a confirmação de que o sono não é um estado tranqüilo.
Um colaborador muito importante em tais descobertas foi o Dr. William Dement, que em 1952 era aluno do segundo ano da Faculdade de Medicina na Universidade de Chicago e hoje em dia é o atual chefe do Centro de Pesquisa do Sono na Universidade de Stanford também em Chicago. Ele deu a este estranho estágio do sono o nome de REM (rapid eye movementes, ou seja, movimento ocular rápido) e a seu oposto o nome de NÃO-REM. O experimento consistia em acordar as pessoas tanto no estágio REM como no NÃO-REM para verificar se havia alguma diferença. Então em 1957, o Dr. Kleitman que foi de fato quem estava interessado em estudar estes estágio do sono, publicou os primeiros resultados de um estudo no qual as pessoas foram despertadas cento e noventa e uma vezes durante o sono REM. Em 80% dessas ocasiões os pacientes podiam lembrar-se com nitidez de estar sonhando na hora em que foram despertados (MAGNIN, 1992).
Inversamente, em cento e sessenta vezes em que foram despertados pacientes cujas ondas cerebrais e globos oculares imóveis mostravam que estavam que estavam no sono NÃO-REM, houve apenas onze casos (6,9%) em que os pacientes puderam lembrar de estar sonhando. Os pesquisadores ficaram eufóricos e o jovem William Dement não podia esperar para demonstrar a ligação entre o sono REM e os sonhos. Assim, aprendeu a afixar eletrodos em seu próprio couro cabeludo e conseguiu que outro estudante de medicina monitorasse as leituras, com instruções para acordá-lo cada vez que estivesse no sono REM. Ao chegar a hora, o aluno acordou Dement ele não se lembrou de nenhum vestígio de sonho, apenas uma vaga curiosidade para saber que horas eram. Desde então, muito se aprendeu sobre os dois tipos de sono. Os pesquisadores concordaram que existem dois tipos de sono, que se entra e sai de maneira cíclica ( o ciclo médio tem a duração de noventa minutos), que todos sonham mesmo que, pelo fato de poder acordar durante um período NÃO-REM não lembre-se de tê-lo feito (USHER, 1991).
REIMÃO, 1999 (apud, SNYDER,1983) relata que em estudos feitos em humanos e, de um modo mais ou menos paralelo, em todos os mamíferos que tem sido estudados, existem uma alternação rítmica de dois estados fisiológicos distintos. Um estado, a que se deu o nome de período de movimento ocular rápido (REM), por causa de seu atributo mais impressionante, é caracterizado pelo alto grau de atividade do sistema nervoso central (SNC), uma supressão da atividade motora periférica e uma associação temporal com as experiências vividas e alucinatórias denominada sonhos. As provas favoráveis a esta última associação, compõem-se de uma elevada porcentagem de recordações oníricas, quando se faz o sujeito despertar durante o período de sono REM; de uma correlação entre a duração subjetiva da experiência onírica e a duração do período REM associado; e de uma estreita correspondência entre os padrões espaço-temporais dos REM’s e os eventos específicos do sonho.
Ao outro estado deu-se o nome de sono não REM e é o estado durante o qual os padrões de onda cerebral mostram sincronização com a presença de ondas lentas e/ou fusos de sono. Não há REM’s, o SNC parece estar em relativo repouso e não há provas de uma supressão ativa. As provas parecem sugerir que uma atividade psíquica de baixo grau pode ocorrer neste período, mas não justifica a suposição de que os sonhos estejam, em qualquer momento, associados ao sono NÃO-REM (REIMÃO,1999 apud SNYDER,1983).
Para o autor, uma consideração interessante é que pessoas com hipoplasia ou anormalidades no corpo caloso cerebral, cessaram seus sonhos ou perderam a capacidade de sonhar por imagens mas sonhavam com palavras.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Poemas de Sonhos:

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Nota.1 - Realidade:

É certo que o homem fala a si mesmo; não há um único ser racional que o não tenha experimentado. Pode-se até dizer que o mistério do Verbo nunca é mais magnífico do que quando, no interior do homem, vai do pensamento à consciência, e volta da consciência ao pensamento. (...) Diz, fala, exclama cada um consigo mesmo, sem que seja quebrado o silêncio exterior. Há um grande tumulto; tudo fala em nós, excepto a boca. As realidades da alma, por não serem visíveis e palpáveis, nem por isso deixam de ser também realidades. 

Realidade:


Realidade (do latim realitas isto é, "coisa") significa em uso comum "tudo o que existe". Em seu sentido mais livre, o termo inclui tudo o que é, seja ou não perceptível, acessível ou entendido pela ciência, filosofia ou qualquer outro sistema de análise.
Realidade significa a propriedade do que é real. Aquilo que é, que existe. O atributo do existente.
O real é tido como aquilo que existe, fora da mente. Ou dentro dela também. A ilusão, a imaginação, embora não esteja expressa na realidade tangível extra-mentis, existe ontologicamenteonticamente* (relativa ao ente - vide Heidegger in "Ser e tempo")*, ou seja: intra-mentis. E é portanto real, embora possa ser ou não ilusória. A ilusão quando existente, é real e verdadeira em si mesma. Ela não nega sua natureza. Ela diz sim a si mesma. A realidade interna ao ser, seu mundo das idéias, embora na qualidade de ens fictionis intra mentis (ipsis literis, in "Proslogion" de Anselmo de Aosta - argumento ontológico), ou seja, enquanto ente fictício, imaginário, idealizado no sentido de tornar-se idéia, e seridéia, pode - ou não - ser existente e real também no mundo externo. O que não nega a realidade da sua existência enquanto ente imaginário, idealizado.
Quanto ao externo - o fato de poder ser percebido só pela mente - torna-se sinônimo de interpretaçãoda realidade, de uma aproximação com a verdade. A relação íntima entre realidade e verdade, o modo em como a mente interpreta a realidade, é uma polêmica antiga. O problema, na cultura ocidental, surge com as teorias de Platão e Aristóteles sobre a natureza do real (o idealismo e o realismo). No cerne do problema está presente a questão da imagem (a representação sensível do objeto) e a daidéia (o sentido do objeto, a sua interpretação mental ).
Em senso comum, realidade significa o ajuste que fazemos entre a imagem e a idéia da coisa, entreverdade e verossimilhança. O problema da realidade é matéria presente em todas as ciências e, com particular importância, nas ciências que têm como objeto de estudo o próprio homem : a antropologia cultural e todas as que nela estão implicadas : a filosofia, a psicologia, a semiologia e muitas outras, além das técnicas e das artes visuais.
Na interpretação ou representação do real, (verdade subjetiva ou crença), a realidade está sujeita ao campo das escolhas, isto é, determinamos parte do que consideramos ser um fatoato ou umapossibilidade, algo adquirido a partir dos sentidos e do conhecimento adquirido. Dessa forma, a construção das coisas e as nossas relações dependem de um intrincado contexto, que ao longo da existência cria a lente entre a aprendizagem e o desejo: o que vamos aceitar como real?
A verdade (subjetiva) pode, às vezes, estar próxima da realidade, mas depende das situações, contextos, das premissas de pensamento, tendo de criar dúvidas reflexivas. As vezes, aquilo o que observamos está preso a escolhas que são mais um conjunto de normas do que evidências

Realidade na metafísica oriental:

O conceito de Realidade na metafísica oriental é a da realidade única, subjacente a toda forma de vida. Para obter a percepção da verdadeira realidade, o discípulo deve aprender técnicas de concentração e meditação, que proporcionam um estado de percepção elevado. Esse conceito pode ser melhor compreendido conhecendo a obra de Paramahansa Yogananda, autor do clássicoAutobiografia de um Iogue, e também de uma vasta coleção de livros. Uma de suas principais obras metafísicas, onde ele traça paralelos entre a realidade ilusória e a Realidade única é o livro Bhagavad Gita - God talks to Arjuna, editado pela Self-Realization Fellowship organização fundada por Yogananda em 1920, Los Angeles, EUA.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011


Entre as coisas maravilhosas de que a nossa vida está cheia, sonhar é certamente uma das mais fascinantes. Que são, afinal, essas visões fugitivas, aparentemente sem sentido, que nos atravessam o espírito enquanto dormimos? Serão apenas restos de pensamentos esquecidos, ou terão algum propósito, alguma utilidade?
Em primeiro lugar, é preciso acabar com essa crença leiga de que os sonhos possam ter relação com o futuro; são produto exclusivo de acontecimentos passados e presente. Apesar de sua aparência confusa, obedecem a determinados padrões, havendo tipos diversos de sonhos, comuns a todos nós. Sonhar é uma função normal do espírito, com fim e utilidade reais. Os sonhos são as sentinelas do sono.

Dormir é, para o corpo humano sadio, tão importante quanto comer e beber. Durante o sono, nossas células trabalham, armazenando as energias que vamos utilizar no dia seguinte. Tal processo seria impossível se o nosso consciente (prático, impaciente, cheio de esperanças e preocupações) não estivesse também adormecido.
No entanto, o consciente é apenas uma parte do nosso espírito. O resto é o subconsciente, repositório dos acontecimentos "esquecidos" da nossa vida toda. Essas lembranças, vagas e ocultas, terão tanto poder para estimular reações quanto as preocupações do dia que acaba de passar; assim, se viessem à tona do nosso espírito, haveriam de nos interromper o sono frequentemente. Para evitar isso, a natureza fornece-nos um meio excelente de defesa: o mecanismo dos sonhos, cuja função é fantasiar para nós o vasto material que jaz no subconsciente, apresentando-o de maneira que nos perturbe o sono o menos possível. Quando acordados, nos lembramos daquilo que sonhamos, muitas vezes só nos vem à memória uma série fantástica de imagens sem sentido.

Os psicólogos reconhecem três espécies de impulsos perturbadores do sono, que podem produzir sonhos: primeiro, os estímulos que vêm de fora até os nossos sentidos adormecidos - um ruído, cheiro ou luz no quarto, ou qualquer coisa que nos toque o corpo; segundo, os "restos do dia", isto é, pensamentos ou preocupações recentes que continuam no nosso espírito mesmo depois de estarmos dormindo; e terceiro, aquelas experiências e desejos esquecidos que são filtrados do subconsciente.
Os sonhos causados por estímlos exteriores mostram com clareza que têm realmente essa função de protetores do sono: a qualquer pessoa pode acontecer "sonhar que está satisfazendo a sede", coisa tão comum entre os viajantes do deserto. Quem passou bastante tempo sem beber água, e comeu alguma coisa salgada antes de ir para a cama, há de sentir tanta sede durante o sono, que o repouso estará ameaçado. Daí, sonhar que está bebendo muita água, sofregamente... É como se o sonho, eterno vigilante, dissesse: "Ora, que sede qual nada! Que história é essa de sentir sede, quando há tanta água?" Depois disso, o sedento continuará dormindo pacificamente, a menos que a sede se torne tão intensa que a ação do sonho resulte inútil.

É muito comum a gente sonhar com o despertador; nesses casos, o sonho disfarça engenhosamente a campainha de alarme, tecendo com ela um história qualquer..."Despertador? Não! Você está é na igreja, com os sinos tangendo; ou então num escritório, onde um telefone estridente reclama que o atendam". Dado o estímulo, o sonho cria o cenário, fornece atores e adereços para o palco, tudo isso extraído da experiência de toda a vida de quem está dormindo.
Na maioria dos casos, a gente acaba acordando mesmo; mas, é forçoso admitir, o sonho fez o que pôde...
Aliás, algumas pessoas continuam em pleno sono, sonhando que já estão no escritório, trabalhando ativamente.

Quando o impulso perturbador do sono provém do subconsciente, os sonhos vão buscar assunto nos cantos recônditos do nosso espírito. Lembra-se daquela noite em que sonhou que estava voando? Aquela visão que teve, de um vôo calmo sobre a multidão, por cima de casas e colinas, de um vôo feliz e despreocupado como o das aves, foi a expressão do desejo, que todos nós temos, de sermos capazes de vencer, sem dificuldade, todos os obstáculos que se nos apresentem.
Até mesmo os pesadelos têm as vezes, segundo afirmam os médicos, essa faculdade protetora do sono. Quase todos já fomos vítimas do "pesadelo do exame": vemo-nos de novo, em sonho, no ginásio ou na faculdade; é dia de exame e chegada a nossa vez; trata-se de matéria que estudamos bem, e que devíamos saber, mas, no momento de responder, não nos lembramos de nada... Um sonho desses é provocado pela ansiedade que nos causa algum problema dificil da vida; é o meio de que se serve o espírito para nos mostrar que, a uma situação igualmente embaraçosa, no passado, tínhamos dado solução satisfatória. "Se daquela vez você se saiu bem, desta será a mesma coisa, nem se preocupe", parece segredar-nos o sonho.
A sensação de queda, quando estamos dormindo, pode provir de um estímulo psíquico ou físico. Muitos psicólogos acreditam que isso pode ter origem no medo, que porventura tenhamos, de descert de nível social. Por outro lado, pode suceder apenas que, com o movimento do corpo na cama, haja uma mudança de posição e consequente desequilíbrio da cabeça, provocando essa impressão de queda.

Os psicólogos são unânimes em afirmar que não temos domínio mental algum sobre os sonhos. Quem duvidar disso, faça o seguinte: 1) tente gravar no espírito tudo aquilo com que quiser sonhar; 2) tome a resolução de acordar se os sonhos forem diferentes dos que desejara. Terá no fim uma dupla decepção...
Não somos de modo algum responsáveis pelos nossos sonhos. As pessoas de coração puro aborrecem-se por terem frequentes sonhos de natureza sexual ou "pecaminosa"; entretanto, não devemos esquecer que até Santo Agostinho dava graças a Deus por não ser responsável pelo que fazia em sonhos. Todo ser humano está sujeito a paixões e impulsos que precisam ser dominados; se os afastamos da vida consciente, eles nos reaparecem no mundo dos sonhos. Os especialistas costumam referir-se ao que disse Platão: "O homem virtuoso contenta-se em sonhar com aquilo que o pecador faz".
Muitas vezes, sendo o elemento perturbador do sono mais forte que o mecanismo do sonho, surgem pesadelos assustadores, violentos, que nos fazem acordar, com suores frios e palpitações. Os médicos evitam entrar em generalizações quanto à causa desse fenômeno. Pode resultar de perturbações digestivas, conflitos emocionais, ou mesmo de má posição na cama; quem dorme de costas, com toda a roupa da cama sobe o peito, está sujeito a pesadelos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sonolência excessiva diurna 
A sonolência excessiva diurna costuma ser o primeiro sintoma (acomete 100% dos narcolépticos). Dura o dia todo, mas acentua-se em situações monótonas, chegando-se a dormir no trabalho e ao dirigir, podendo levar a acidentes.
A sonolência é contínua durante o dia em níveis não suficientes para adormecer, mas intensa o suficiente a ponto de dificultar o desempenho de tarefas que requerem atenção e concentração. Após um cochilo curto (10-20 minutos) durante o dia, os pacientes se sentem recuperados. Pela manhã estão bem disposto, mas depois de algumas horas a sonolência vai aumentando progressivamente até ficar quase incontrolável. Há, geralmente, um primeiro ponto máximo de sonolência no meio da manhã e um segundo no meio da tarde.
Paralisia do sono
A paralisia do sono ocorre em 5% dos narcolépticos. Ela pode ocasionalmente ser encontrada em pessoas normais, geralmente adolescentes e adultos jovens. Entretanto, merece ser ressaltada por acometer mais freqüentemente os narcolépticos do que os normais.
A paralisia do sono é descrita pelo paciente como sensação de imobilidade completa durante um a dois minutos, ocorrendo na transição sono-vigília, logo ao adormecer ou ao despertar. O paciente é incapaz de se mover, falar ou abrir os olhos, embora esteja completamente consciente e posteriormente possa se lembrar disto. Nas primeiras vezes, principalmente se acompanhada de alucinações amedrontadoras, o paciente fica muito ansioso; conforme os episódios se tornam mais comuns, ele aprende a aceitá-los como benignos. Por vezes, o paciente apresenta medo de morrer durante tais episódios até que seja esclarecido a natureza dos mesmos. Caso tente gritar ou se mover, ele produz apenas grunhidos leves e, para o observador, parece estar dormindo profundamente.
Geralmente, o episódio de paralisia do sono termina de forma espontânea. Por outro lado, caso o paciente seja tocado levemente, sacudido, ou mesmo ao se falar com ele, tais estímulos externo fazem a paralisia terminar abruptamente.
O registro polissonográfico da paralisia do sono evidencia o despertar durante o estágio REM, persistindo a atonia própria deste estágio. A duração é geralmente de menos de um minuto e raramente chega a 10 minutos, sendo o término espontâneo.
Alucinação hipnagógica
A chamadas alucinações hipnagógicas (antes do sono) são descritas principalmente como sonhos vívidos logo ao adormecer. Acomete cerca de 10% dos narcolépticos. Geralmente são alucinações visuais, podendo Ter uma única cena, uma sequência ou formas simples, mudando continuamente de forma e tamanho. As imagens têm todas as características de um sonho vívido no qual o paciente se vê tomando parte. Por vezes, ele tem consciência do que se passa no mundo real ao redor, enquanto vive a experiência de alucinação-sonho. Pode ver imagens de animais ou de pessoas que surgem abruptamente. Menos comumente, pode haver alucinações auditivas que variam desde sons variados até melodia elaborada.
O registro polissonográfico mostra o estágio REM logo no início do sono, demonstrando que tal alucinação não é mais que sonho, próprio do sono REM. O início do sono pode passar a ser visto pelo paciente como desagradável, dada a ocorrência de alucinações.

Sonambulismo:

É uma das parassônias mais comuns na infância. Diminui progressivamente na adolescência, mas um pequeno grupo persiste com sonambulismo até a idade adulta.
O sonambulismo, usualmente, inicia-se nas primeiras horas de sono, e sua duração é variável, desde poucos segundos até vários minutos. O comportamento do paciente é variável, mas simples, podendo sentar, olhar ao redor com face apática, levantar e andar pelo quarto, chegando mesmo a sair para outros cômodos, descer escadas e abrir portas e janelas. Raramente apresenta comportamento mais complexo como trocar de roupa ou urinar. Adultos durante episódios de sonambulismo, tendem a apresentar movimentos mais bruscos e violentos que as crianças, chegando a se ferir.
A polissonografia mostra os episódios típicos de sonambulismo, tendo início durante os períodos de sono de ondas lentas, principalmente nos estágios 3 e 4. A causa desta parassônia é desconhecida, supondo-se que haja fragmentação da transição normal de sono profundo de ondas lentas (estágios 3 e 4) para estágios mias superficiais, levando a uma dissociação. Nesta há comportamento semelhante à vigília (por exemplo, deambulação), ao mesmo tempo em que o EEG mostra estar em estado de profundo sono. O sonambulismo surge entre 1 a 3 horas após o adormecer, e geralmente no primeiro ciclo de sono. Se o sono não for interrompido, o episódio de sonambulismo termina espontaneamente, e a criança continua a dormir em estágios profundos de sono.
Algumas situações que levam a uma maior quantidade de sono de ondas delta se acompanham de ocorrência de maior sonambulismo, como, por exemplo, após privação de sono.

Terror Noturno:

Embora possa ser encontrado em qualquer idade, é na criança que se faz mais freqüente. Terror noturno é menos encontrado na população em geral do que sonambulismo, sendo sua prevalência de 1% a 5% em crianças escolares. As crianças com sonambulismo apresentam terror noturno mais comumente que as demais. Em pesquisas da população em geral, nas crianças com terror noturno, esta parassônia é limitada no tempo, durante três a quatro anos. Por outro lado, dentre crianças que são levadas a especialistas com a queixa de terror noturno, avaliadas prospectivamente, observa-se que 36% persistem manifestando terror noturno quando avaliadas na adolescência.
Relato de sonambulismo é mais comum em familiares de crianças com terror noturno que em grupo-controle. Pode-se encontrar também maior duração do terror noturno, ao longo da infância, naquelas com história familiar de sonambulismo, apontando a possibilidade de influência genética na evolução desta parassônia.

Sonhos Criativos:

A partir dos métodos de interpretação de sonhos surgidos no início do século, os sonhos perderam o seu status de mensageiros entre os deuses e a humanidade e se tornaram mensagens entre o ego e o inconsciente.
Na Grécia antiga eles eram usados em rituais de cura nos templos de Asclépios onde a pessoa doente era colocada para dormir e lá permanecia até que um sonho revelasse a origem da doença, como também. um possível tratamento. Já na era Cristã, Artemidorus de Ephesus escreveu um manual de interpretação de sonhos, enfatizando-os como indicadores do futuro, em vez de considerá-los movimentos internos do processo de individuação do sonhador.
E quando em 1900 Freud escreveu "A Interpretação de Sonhos", as comunidades científicas e religiosas já haviam perdido a noção de que os sonhos tivessem qualquer significado. Logo após veio Jung que, depois de seu rompimento com Freud, por volta de 1913, procurou o seu próprio caminho na investigação do inconsciente ocupando-se com seus sonhos, fantasias e memórias de sua infância, dando forma a uma nova abordagem que ele veio a chamar de Psicologia Analítica. Naquela época ele começou a confrontar as figuras do inconsciente usando uma técnica de diálogo interno desenvolvida a partir de seus experimentos de associação livre de palavras que mais tarde ele deu o nome deimaginação ativa; como também, a sua compreensão dos sonhos diferia daquela de material reprimido, e os colocava como representações autônomas inconscientes numa relação compensatória com o ego. Hall ressalta que os sonhos são uma declaração simbólica que carrega significados ainda não especificados, mas não é uma versão disfarçada de um material reprimido não aceitável.
Esta relação de compensação foi percebida e explicada através da observação de que o ego-onírico às vezes se comportava como o ego-acordado, mas que em muitas outras vezes ele agia diferentemente. É neste contraste que se apoia a função compensatória dos sonhos que traz à consciência um nova imagem do ego completamente diferente daquela de nossa consciência acordada. Isto é, o ego-onírico acaba desempenhando uma função inexistente na consciência, mas necessária ao desenvolvimento do ego-acordado. Como se fosse uma forma de chamar a atenção para alguma coisa ainda não desenvolvida e não percebida por nós.
É aí que entra em foco os chamados sonhos criativos que nos apresentam a idéia de que podemos trazer de nossos sonhos alguma coisa valiosa para nós mesmos, para nossas vidas ou mesmo para a sociedade. Um famoso exemplo desta experiência nos relata o químico alemão F.A. Kekulé, no final do século passado , um sonho que lhe veio em seu auxílio: "Eu virei a cadeira para a lareira e estava meio dormindo. Os átomos flutuavam diante de meus olhos... dançando e girando como cobras. E veja o que aconteceu! Uma das cobras mordeu o seu próprio rabo e a imagem girava diante de mim. Como um relâmpago eu acordei e passei o resto da noite trabalhando nas conseqüências desta nova hipótese". As conseqüências, como vocês sabem, foram a descoberta da fórmula do benzeno. E numa convenção científica em 1890 ele aconselhou: "Aprendam a sonhar, senhores".
Entre a maioria das nações indígenas americanas existem canções/poemas resultantes de algum sonho, passado por um alce, um búfalo ou por lobos. E estas canções acabam sendo adotadas por toda a tribo para refazerem o caminho de encontro com alguma divindade; um instrumento para se recriar uma experiência numinosa.
Na Malásia, o povo Senoi usava uma técnica de alterar o estado dos sonhos para usa-los para criar projetos que contribuíssem diretamente para um modo de vida individual e da comunidade. Eles eram uma sociedade pacífica que usavam os seus sonhos para criar harmonia e bem-estar em sua cultura. Este povo, mesmo cercado por outras culturas como a chinesa e Maometanas, criaram e desenvolveram cerimonias, instrumentos agrícolas, instrumentos musicais, canções e mudanças de hábito na alimentação e vestimenta; a partir de uma ação puramente criativa dos sonhos, uma vez que não existiam modelos ou referenciais nas culturas das colônias vizinhas.
Como o povo Senoi, várias outras fontes já nos deram dicas de como arranjar os sonhos, ou seja, como se tornar um sonhador acordado, ou trazer a consciência para o ego-onírico. Lucidez é o primeiro passo para o sonhador acordado. Escolher estar consciente de um objeto em particular e manter esta consciência através do sonho. A questão não é notar a similaridade com a vida acordada, mas perceber que as imagens no sonho são muito semelhantes ou totalmente diferentes daquelas da realidade acordada. Uma de cada vez, até tudo se tornar claro.
Existem muitos tipos diferentes de sonhos. As pessoas vem estudando-os, tentando entendê-los e dividindo-os em grupos.

Sonhos criativos: Pessoas que tem sonhos criativos representam seus sonhos através da pintura ou mesmo através de livros.

Sonhos lúcidos: A pessoa está sonhando, sabe que está sonhando e conseguem controlar o que está acontencendo como se estivessem direcionando um filme. Essas pessoas conseguem se encontrar com outras pessoas pelo seus sonhos e depois quando acordam, descobrem que a pessoa com quem sonharam tiveram o mesmo sonho com as mesmas pessoas e as mesmas coisas.

Pesadelos: Sonhar com monstros, fantasmas significa que você está com medo de alguma coisa na vida real e que precisa ser confrontado. Se você sonhou que você está preso em algum lugar, isso significa que você está preso à uma situação na vida real.

Sonhos previsíveis: São sonhos em que a pessoa que está sonhando alega que certos eventos irá acontecer no futuro.

Sonhos repetitivos: Se você sonha com a mesma coisa mais de uma vez, isso quer dizer que alguma coisa está te preocupando na vida real.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sonho Lúcido

Um sonho lúcido é um sonho no qual o sonhador é conciente de estar a sonhar. Este tipo de sonho pode-se dar de forma espontánea ou bem ser induzido por determinadas práticas e exercícios.
O termo Sonho Lúcido foi usado pela primeira vez pelo psiquiatra holandês Frederick vão Eeden em um estudo realizado em 1913. No entanto, o primeiro estudo moderno data de 1867 . Foi escrito pelo francês Hervey de Saint-Denys (seudónimo de Marie Jean Léon lhe Coq) e seu título era "Os sonhos e como os controlar" (em francês "Rêves et lhes moyens de lhes diriger"). Na actualidade aceita-se como umfacto comprovado cientificamenteSigmund Freud também o mencionou. Alguns dos estudos científicos mais recentes têm sido realizados por Celia Green, de quem se diz que foi a primeira em relacionar o fenómeno do "falso acordar" com o sonho lúcido e com a fase de movimentos rápidos dos olhos; Keith Hearne na Inglaterra e quase ao mesmo tempo e sem conhecimento prévio deste último, Stephen LaBerge fundador do "Instituto da lucidez" (The Lucidity Institute), que começou suas investigações na Universidade de Stanford em Califórnia (EE. UU.).
À pessoa que se autoinduce o sonho lúcido ou o tem com frequência de forma espontánea se lhe conhece como onironauta.
É provável que a maioria das pessoas tenham tido um ou mais sonhos lúcidos em algum momento de sua vida, ainda que a maioria das vezes tenham sido esquecidos ao igual que os sonhos comuns. Há pessoas que se ejercitan para os ter e chegar aos controlar de diferentes maneiras já que durante o sonho lúcido existem diferentes níveis de controle do sonho.
Os sonhadores mais experimentados podem chegar a controlar seus sonhos a vontade sem nenhuma dificuldade, dirigindo o sonho e levando a cabo seus desejos nos mesmos. Entre as habilidades possíveis para um sonhador experimentado, estão o poder mudar o lugar onde se encontra no sonho, visitar lugares conhecidos ou imaginarios, voar, mudar de forma, e qualquer coisa que se lhe ocorra durante o sonho. Os sonhos lúcidos são notáveis por perdurar na memória, sendo excepcionalmente melhor recordados que os sonhos típicos e não lúcidos (ainda que também é possível não os recordar). Os onironautas descrevem regularmente seus sonhos como excitantes, fantásticos, cheios de cor (se observam as cores melhor que na mesma realidade). Ademais, inclusive têm informado de sonhos lúcidos que têm tido lugar em uma espécie de hiperrealidad , uma realidade que se sente mais real que o estado quotidiano de vigília. Nestes sonhos todos os elementos do sonho estão amplificados, pelo que com frequência comparam seus sonhos com experiências espirituais
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Fenômenos associados ao sonho lúcido

  • Parálisis do sonho. Sucede durante a etapa REM do sonho na qual o corpo fica paralisado por um mecanismo cerebral que impede que os movimentos que se produzem no sonho se levem a cabo de forma real pelo corpo, já que isto poderia supor o pôr em perigo a própria integridade física, se movendo unicamente os olhos e dando lugar ao efeito "REM" (Movimento Rápido de Olhos). Este estado pode ir acompanhado de alucinaciones (especialmente de tipo auditivo) e outras sensações mais ou menos acusadas, situação que pode chegar a causar pânico em quem a experimenta, já que o sujeito se sente inmovilizado (para mais detalhe consultar Parálisis do Sonho), ainda que este estado seja completamente inofensivo.
  • Falso acordar: Sucede quando não se consegue o controle adequado do sonho. Em um falso acordar, de repente um sonha que se acordou. Se a pessoa estava em um estado de lucidez, com frequência acha que já não está a sonhar e pode sair de sua habitação, etc. Dado que essa pessoa segue sonhando, a esta situação chama-lha "falso acordar". Isto costuma ser um problema na arte do sonho lúcido porque normalmente provoca que a pessoa perca a consciência de estar em um sonho, mas também pode causar em alguns o que cheguem a estar lúcidos se, de forma habitual, se realiza um teste de realidade sempre que se acordem.

Recordar sonhos

Recordar os sonhos é uma habilidade muito importante para os sonhadores lúcidos (e para qualquer que esteja interessado em conhecer algo mais de seu mundo onírico) já que se não se recordam os sonhos, também não poder-se-ão recordar os sonhos lúcidos. Habitualmente, melhorar a lembrança dos sonhos é o primeiro passo para poder aprender a ter sonhos lúcidos. Ademais permite familiarizar-se com o próprio conteúdo onírico, o qual, será útil para identificar signos (ver mais adiante teste de realidade) que também nos podem ajudar a atingir a lucidez.
Uma prática comum que permite incrementar os sonhos recordados é manter um diário ou caderno de sonhos, que se deve manter cerca de nossa cama, de maneira que tão cedo como nos acordemos, possamos plasmar em papel os sonhos, impressões ou pensamentos que tenhamos nesse momento. Uma prática muito útil hoje em dia, em que a maioria de nós temos telefones móveis com capacidade para gravar som, é ter a mão o móvel e gravar nosso sonho assim que possamos ao acordar, para posteriormente o passar a nosso diário dos sonhos. É recomendável que quando acordamos não nos movamos e mantenhamos durante um momento os olhos fechados, pois isto pode ajudar a recordar melhor o sonho que acabamos de ter.
Se esperamos a escrever neste diário em outro momento do dia, podemos esquecer grande parte ou o total dos sonhos que tenhamos tido, mas também há que ter em conta que, às vezes, durante o dia, algum acontecimento ou acontecimento podem fazer que recordemos sonhos que tínhamos esquecido e nestes casos é recomendável, se é possível, tomar nota de todo o que nos vinga à memória, incluindo que foi o que nos fez rememorar esse sonho.
Outra técnica para reter os sonhos é mentalizarse dantes de dormir-se que à manhã seguinte se vai recordar o sonho. Por exemplo, podemos visualizar pela manhã na cama, recordando detalhes do sonho e apontando-os. Podemos inclusive dantes de dormir, pedir-nos a nós mesmos sonhar com algum tema em especial, e o anotar ou o gravar no móvel, para cotejar à manhã seguinte se sonhamos com o que pedimos ou o que nos propusemos sonhar.

Sinais do Sonho

Outra forma de fazer testes de realidade, consiste em advertir os "sinais do sonho". Estes sinais costumam categorizarse da seguinte forma:
  • Acção: O sonhador, outra personagem ou uma coisa faz algo incomum ou impossível na vida real, como fotos tridimensionais em uma revista com movimento, ou o comum exemplo de poder voar.
  • Contexto: O lugar ou situação no sonho é estranho, bem como as personagens e demais lugares que aparecem. Ou estar em um lugar ou uma situação na que normalmente não estaria o soñante.
  • Forma: O sonhador, outra personagem ou uma coisa, muda de forma, tem uma forma estranha ou transforma-se. Isto pode incluir a presença de roupa ou cortes de cabelo incomuns, ou se ver o sonhador desde uma terceira pessoa.
  • Consciência: Um pensamento em particular, uma sensação incomum, uma emoção forte ou percepciones alteradas.
  • Coesão: Algumas vezes o sonhador pode "teletransportarse" a um lugar completamente diferente, seja qual seja, sem transição alguma entre os dois lugares.
  • Tempo: No sonho, o soñante pode experimentar saltos temporários (primeiro é de dia e repentinamente é de noite, ou vice-versa). Bem como também poder ter o controle do tempo, podendo o retroceder a vontade para modificar um facto indeseado. Este segundo facto é pouco comum já que depende de um alto grau de lucidez no soñante.
sonho é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religiãociência e cultura. Para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebês no útero têm sono REM(movimentos rápidos dos olhos) e sonham, mas não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas, o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência

Foi em 1901, com a publicação de A Interpretação dos Sonhos[1], que Sigmund Freud (1856-1939) deu um caráter científico à matéria. Naquele polêmico livro, Freud aproveita o que já havia sido publicado anteriormente e faz investidas completamente novas, definindo o conteúdo do sonho como “realização dos desejos”. Para o pai da psicanálise, no enredo onírico há o sentido manifesto (a fachada) e o sentido latente (o significado), este último realmente importante. A fachada seria um despiste do superego (o censor da psique, que escolhe o que se torna consciente ou não dos conteúdos inconscientes), enquanto o sentido latente, por meio da interpretação simbólica, revelaria o desejo do sonhador por trás dos aparentes absurdos da narrativa.


Sonho e Jung

O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, baseado na observação de seus pacientes e em experiências próprias, tornou mais abrangente o papel dos sonhos, que não seriam apenas reveladores de desejos ocultos, mas sim, uma ferramenta da psique que busca o equilíbrio por meio da compensação. Ou seja, alguém masculinizado pode sonhar com figuras femininas que tentam demonstrar ao sonhador a necessidade de uma mudança de atitude.
Na busca pelo equilíbrio, personagens arquetípicas interagem nos sonhos em um conflito que buscam levar ao consciente conteúdos do inconsciente. Entre essas personagens, estão a anima (força feminina na psique dos homens), o animus (força masculina na psique das mulheres) e a sombra (força que se alimenta dos aspectos não aceitos de nossa personalidade). Esta última, nos sonhos, são os vilões. Um aspecto muito importante em se atentar nos sonhos, segundo a linha junguiana, é saber como o sonhador, o protagonista no sonho (que representa o ego) lida com as forças malignas (a sombra), para se averiguar como, na vida desperta, a pessoa lida com as adversidades, a autoridade e a oposição de idéias. Jung aponta os sonhos como forças naturais que auxiliam o ser humano no processo de individualização.
Ao contrário de Freud, as situações absurdas dos sonhos para Jung não seriam uma fachada, mas a forma própria do inconsciente de se expressar. Para o mestre suíço, há os sonhos comuns e osarquetípicos, revestidos de grande poder revelador para quem sonha. A interpretação de sonhos é uma ferramenta crucial para a psicologia analítica, desenvolvida por Jung.


Abordagem psicológica

Os sonhos seriam uma demonstração da realidade do inconsciente. Sendo estudados corretamente pode-se descrever, ou melhor, conhecer o momento psicológico do indivíduo. Fazendo uma analogia, poderiamos pensar numa especie de "fotografia" do inconsciente naquele momento. Por isso, o sonho sempre demonstra aspectos da vida emocional. Os sonhos têm uma linguagem própria. Pensemos no seguinte exemplo: Ao ver duas pessoas estrangeiras que falam um idioma que não é do nosso conhecimento, nunca diriamos que elas não sabem falar. Na verdade, o problema é que não conhecemos aquela língua (sua estrutura, sua gramática, etc). O mesmo acontece com os sonhos. Sua linguagem são os símbolos. Para entender seus variados conteúdos, temos que estudar os símbolos. Utilizando-se do conceito de "complexos" e do estudo dos sonhos e de desenhos, Carl Gustav Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Em sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos.

Sonho e sono REM

Existem outras correntes, que vêem o sonho de modo diverso. Os neurocientistas, de modo geral, afirmam que o sonho é apenas uma espécie de tráfego de informação sem sentido que tem por função manter o cérebro em ordem. Essa teoria só não explica como esses enredos supostamente desconexos são responsáveis por grandes insights, como em Thomas Edison, por exemplo. Existem muitos outros casos de sonhos reveladores em várias áreas da ciência e da arte, que todavia não impedem que os sonhos sirvam também para recuperar a saúde do organismo e do cérebro.