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sábado, 22 de janeiro de 2011

Sonhando:

O sonho é uma experiência própria do ser humano estudado nas mais diversas épocas e diferentes culturas. Desde a antigüidade até os dias de hoje, muito tem se pesquisado sobre o mundo dos sonhos tanto dentro do âmbito religioso quanto no científico.
Pode-se encontrar relatos que revelam as crenças e a misticidade dos sonhos em livros religiosos como a Bíblia que possui mais de setenta passagens tratando do assunto, como estará citado a seguir, o Alcorão (livro sagrado dos maometanos) visto que grande parte de seus escritos foram revelados a Maomé em forma de sonho e até mesmo no Talmud (leitura rabínica) sendo que os sonhos aparecem como algo que precisa ser revelado pois contém efeitos transmutadores (FROMM , 1951)
A Bíblia mostra que o sonho durante muito tempo foi uma forma de comunicação entre Deus e os homens e que através deles, muitos conteúdos sobre a vida futura eram revelados. O caráter premonitório dos sonhos aparece em várias passagens Bíblicas como esta: “E aconteceu que, ao fim de dois anos inteiros, Faraó sonhou, e eis que estava em pé junto ao rio, e subiam ao rio sete vacas formosas e gordas de carne, e pastavam. E eis que subiam do rio após elas, outras sete vacas feias e magras de carne; e paravam junto às outras vacas no pasto. E as vacas feias e magras, comiam as sete vacas formosas e gordas. Então acordou o Faraó. Chamou o Faraó um garoto de nome José para que interpretasse seu sonho e assim foi feito. Disse José ao Faraó: O sonho do Faraó é o que Deus fará. As sete vacas formosas são sete anos de muitas fartura que o Egito enfrentará e as sete vacas magras e feias são os sete anos de fome e miséria que se sucederá” (Bíblia Sagrada, 1969, p. 47, antigo testamento).
Na Idade Média, o sonho passou a ser encarado como portador de uma força cognitiva em relação aos fatores da realidade externa objetiva, especialmente o Futuro, o Além e as verdades do relacionamento do homem com o divino, que, de outra forma seriam inacessíveis (WOLFF, 1985).
Segundo a Dra. VON FRANZ em seu livro O Caminho dos Sonhos (1988), na virada do século, os pioneiros da Psicologia não descobriram a importância dos sonhos. Eles a redescobriram. Muitas civilizações antigas levavam extremamente a sério seus sonhos. Por ironia, muita gente que hoje rejeita os sonhos como algo sem sentido, sem saber, aceita e segue valores espirituais, crenças e tradições que se originam diretamente dos sonhos de indivíduos que viveram há milhares de anos. Durante toda a história religiosa da cultura judeu-cristã os sonhos tiveram um papel central na determinação do destino da humanidade.
Existem até mesmo autobiografias importantes centradas em sonhos: a primeira, de um médico de Bagdá, Ibn al-Banña de 1068 e é composta de vinte e três sonhos e suas interpretações; a outra, é do historiador damasceno Abn Shama de 1260. Já se tratando do mundo científico, encontra-se Freud que em 1900 lança uma de suas principais obras “ A interpretação dos sonhos” em que descreve a forma como a psique se protege e satisfaz-se durante o sonho. Freud indica que do ponto de vista biológico, a função do sonho é permitir que o sono não seja perturbado. Sonhar é uma forma de canalizar desejos não realizados através da consciência sem despertar o corpo. Freud considera o sonho como um guardião do sono, ao permitir a satisfação parcial dos desejos inconscientes reprimidos. Seria uma forma de manifestação dos impulsos que estão sob pressão da resistência durante a vigília e que podem liberar-se durante o relaxamento do sono. A lembrança dos sonhos não é apenas fragmentária, mas decididamente imprecisa e falsificada e, muitas vezes, ao despertar, as imagens são fracas e pouco inteligíveis. O esquecimento dos sonhos está a serviço da resistência. Parte da dificuldade de fornecer uma descrição dos sonhos se deve ao fato de se traduzir as imagens em palavras ( WOLFF, 1985).
Os sonhos são produtos da própria atividade mental e processam-se, predominantemente, por imagens visuais, mas também recorrem a impressões auditivas; seu conteúdo é derivado da experiência, mostrando conhecimentos e impressões que o indivíduo acordado muitas vezes não percebe (FREUD, 1900).
Além do estado desperto normal, o sono, é naturalmente, o outro estado de consciência cujo reconhecimento é mais comum. As pessoas passam boa parte da vida dormindo, como a maioria dos mamíferos. O desenvolvimento do eletroencefalógrafo (EEG) foi decisivo para o progresso das pesquisas sobre o sono e o sonho. Berger, um psiquiatra alemão, em 1924, foi a primeira pessoa a registrar o EEG de um homem. Berger só publicou os seus primeiros registros em 1929. Suas descobertas abriram caminho a uma intensa atividade de pesquisa. Muitas pesquisas foram realizadas posteriormente para ampliar e aprofundar as descobertas de Berger, colocando ao alcance de todos uma considerável soma de informações sobre a atividade elétrica do cérebro humano (KIMBLE, 1975).
Segundo MAGNIN (1992), os movimentos lentos dos olhos que apareciam logo antes do sono, também ocorriam durante a noite e estavam diretamente relacionados a profundidade do sono. Seu principal foco de pesquisa era por que motivo, quando uma pessoa deveria estar relaxada, seus globos oculares se comportavam como se ela estivesse acordada assistindo a um filme. E a partir daí veio a confirmação de que o sono não é um estado tranqüilo.
Um colaborador muito importante em tais descobertas foi o Dr. William Dement, que em 1952 era aluno do segundo ano da Faculdade de Medicina na Universidade de Chicago e hoje em dia é o atual chefe do Centro de Pesquisa do Sono na Universidade de Stanford também em Chicago. Ele deu a este estranho estágio do sono o nome de REM (rapid eye movementes, ou seja, movimento ocular rápido) e a seu oposto o nome de NÃO-REM. O experimento consistia em acordar as pessoas tanto no estágio REM como no NÃO-REM para verificar se havia alguma diferença. Então em 1957, o Dr. Kleitman que foi de fato quem estava interessado em estudar estes estágio do sono, publicou os primeiros resultados de um estudo no qual as pessoas foram despertadas cento e noventa e uma vezes durante o sono REM. Em 80% dessas ocasiões os pacientes podiam lembrar-se com nitidez de estar sonhando na hora em que foram despertados (MAGNIN, 1992).
Inversamente, em cento e sessenta vezes em que foram despertados pacientes cujas ondas cerebrais e globos oculares imóveis mostravam que estavam que estavam no sono NÃO-REM, houve apenas onze casos (6,9%) em que os pacientes puderam lembrar de estar sonhando. Os pesquisadores ficaram eufóricos e o jovem William Dement não podia esperar para demonstrar a ligação entre o sono REM e os sonhos. Assim, aprendeu a afixar eletrodos em seu próprio couro cabeludo e conseguiu que outro estudante de medicina monitorasse as leituras, com instruções para acordá-lo cada vez que estivesse no sono REM. Ao chegar a hora, o aluno acordou Dement ele não se lembrou de nenhum vestígio de sonho, apenas uma vaga curiosidade para saber que horas eram. Desde então, muito se aprendeu sobre os dois tipos de sono. Os pesquisadores concordaram que existem dois tipos de sono, que se entra e sai de maneira cíclica ( o ciclo médio tem a duração de noventa minutos), que todos sonham mesmo que, pelo fato de poder acordar durante um período NÃO-REM não lembre-se de tê-lo feito (USHER, 1991).
REIMÃO, 1999 (apud, SNYDER,1983) relata que em estudos feitos em humanos e, de um modo mais ou menos paralelo, em todos os mamíferos que tem sido estudados, existem uma alternação rítmica de dois estados fisiológicos distintos. Um estado, a que se deu o nome de período de movimento ocular rápido (REM), por causa de seu atributo mais impressionante, é caracterizado pelo alto grau de atividade do sistema nervoso central (SNC), uma supressão da atividade motora periférica e uma associação temporal com as experiências vividas e alucinatórias denominada sonhos. As provas favoráveis a esta última associação, compõem-se de uma elevada porcentagem de recordações oníricas, quando se faz o sujeito despertar durante o período de sono REM; de uma correlação entre a duração subjetiva da experiência onírica e a duração do período REM associado; e de uma estreita correspondência entre os padrões espaço-temporais dos REM’s e os eventos específicos do sonho.
Ao outro estado deu-se o nome de sono não REM e é o estado durante o qual os padrões de onda cerebral mostram sincronização com a presença de ondas lentas e/ou fusos de sono. Não há REM’s, o SNC parece estar em relativo repouso e não há provas de uma supressão ativa. As provas parecem sugerir que uma atividade psíquica de baixo grau pode ocorrer neste período, mas não justifica a suposição de que os sonhos estejam, em qualquer momento, associados ao sono NÃO-REM (REIMÃO,1999 apud SNYDER,1983).
Para o autor, uma consideração interessante é que pessoas com hipoplasia ou anormalidades no corpo caloso cerebral, cessaram seus sonhos ou perderam a capacidade de sonhar por imagens mas sonhavam com palavras.

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